Quais os principais tipos de lesões traumáticas de nervos?

Sempre que um nervo é completamente cortado ocorre paralisia de músculo(s) e perda da sensibilidade na região inervada pelo mesmo. Nesses casos não existe possibilidade de recuperação sem que a cirurgia seja realizada. Por vezes o corte não produz uma lesão total, provocando uma perda parcial das funções. Com frequência os pacientes com lesões parciais referem dor em queimação, de intensidade moderada ou forte.

A lesão de um nervo pode ocorrer por corte, esmagamento, tração, compressão ou isquemia (redução na quantidade de sangue que chega ao nervo). Nesses casos, muitas vezes não ocorre a divisão do nervo, mas sim um trauma interno com consequente cicatrização. A possibilidade de recuperação espontânea dependerá da intensidade dessa cicatrização e pode variar desde o retorno quase à normalidade até a persistência de completa paralisia e perda da sensibilidade.

Existe tratamento clínico para essas lesões?

Até o presente momento não existe nenhum tipo de medicamento que auxilie na recuperação do nervo lesado. O tratamento clínico das lesões de nervos consiste em reabilitação (fisioterapia/terapia ocupacional), que deve ser iniciada o mais precocemente possível. A reabilitação mantém as articulações móveis, retarda o processo de atrofia muscular, impede o encurtamento de tendões e mantém a musculatura adjacente em condições ideais para o retorno de funcionamento dos músculos paralisados. Por vezes a colocação de órteses (ex. talas, tipóias, etc) é útil para impedir fixações articulares em posições inadequadas (ex. deformidade em garra). As partes do corpo que perderam a sensibilidade devem ser protegidas para evitar lesões sem que o paciente perceba. Nos pacientes que referem dor associada à lesão do nervo devem ser prescritos medicamentos analgésicos para dor comum ou para dor neuropática, conforme o caso.

Quando indicar tratamento cirúrgico?

Quando a regeneração espontânea não acontece ou ocorre de forma insuficiente para restaurar a função desejada, o tratamento cirúrgico passa a ser considerado. A eletroneuromiografia é um exame importante para, junto com o exame clínico, estabelecer o grau/ localização da lesão e confirmar a necessidade de cirurgia. No entanto, o tipo exato de lesão muitas vezes só pode ser estabelecido ao exame direto durante a cirurgia.

Quando realizar o tratamento cirúrgico?

Nas lesões abertas com laceração (corte) do nervo, o reparo cirúrgico pode ser realizado precocemente, desde que a lesão seja aguda (provocada por algo muito cortante). Por outro lado, quando a laceração é acompanhada por algum grau de contusão, a cirurgia deve ser adiada por 3 a 4 semanas para que se defina a extensão da lesão que deverá ser ressecada antes da realização do reparo.

As lesões fechadas por tração devem ser tratadas inicialmente de forma conservadora, pois a recuperação espontânea pode ocorrer em muitas destas lesões. Essa recuperação em geral se manifesta dentro de 3 a 4 meses, dependendo do grau e local da lesão. O tratamento cirúrgico deve ser realizado entre o terceiro e o quinto mês, nos pacientes que não apresentaram recuperação espontânea adequada.

Como realizar o reparo cirúrgico dessas lesões?

A primeira parte da cirurgia consiste em avaliar se o nervo está intato e se ainda transmite eletricidade. Se o nervo estiver roto ou não estiver transmitindo eletricidade a etapa seguinte é definir a extensão da lesão. A parte lesada do nervo é então retirada e sua reconstrução é feita, preferencialmente, por sutura direta. Porém, muitas vezes a distância entre as terminações do nervo é grande, não sendo possível aproximá-las. Nesses casos, porções de nervos sensitivos retirados de outra região do corpo são utilizadas como enxertos, para unir as terminações do nervo. Quando a distância entre as terminações é pequena sua união também é possível com tubos condutores absorvíveis (ex. de colágeno).

Como proceder no pós operatório?

Mantenha, sempre que possível, o membro operado elevado para evitar ou reduzir o inchaço. O inchaço pode provocar dor e tornar o pé ou a mão rígidos. Quando não houver contra-indicação (ex. reparo de tendões), a simples movimentação necessária para fechar e abrir a mão ou para fletir e estender o pé no tornozelo, repetida 10 vezes a cada hora, auxilia a movimentar o fluido e reduzir/evitar o inchaço.

O tempo de permanência do curativo e de eventual imobilização é variável e os mesmos não devem ser removidos sem a autorização do seu medico. Mantenha o curativo sempre seco.

Existem complicações no tratamento cirúrgico?

Como todo procedimento cirúrgico, na reconstrução de nervos também existem riscos (ex. anestesia, sangramento, infecção, etc.) e complicações (ex. dor, formação de cicatriz interna, etc.).

Quando inciar a reabilitação?

Quando não existem contra-indicações, a reabilitação (fisioterapia / terapia ocupacional) deve ser iniciada o mais precocemente possível, para manter a amplitude dos movimentos articulares, evitar contraturas e minimizar a atrofia muscular.

Quanto tempo demora a recuperação?

O grau de recuperação depende de diversos fatores (tipo de lesão, intensidade da lesão, tipo de tratamento, etc.). Para alcançar seu grau máximo pode demorar dois anos ou mais e por vezes são necessárias cirurgias secundárias (ortopédicas) para melhorar a função.