As lesões do plexo braquial relacionadas ao parto ocorrem em um a cada 500 nascimentos. Apesar dos avanços da obstetrícia, esta situação continua ocorrendo com frequência, mesmo em países desenvolvidos. Tipicamente acontece em bebês grandes nascidos por parto vaginal, mas pode ocorrer na ausência de fatores de risco, o que torna difícil sua prevenção. O quadro clínico é de uma paralisia flácida do membro superior notada logo ao nascimento, diferente das paralisias cerebrais, onde o déficit motor geralmente manifesta-se mais tarde. Cerca de dois terços dos casos têm lesão à direita e um terço à esquerda, mas raramente a lesão pode ser bilateral. O comprometimento isolado do nível superior do plexo (raízes C5-C6) ocorre em cerca de 50% dos casos e é conhecido como paralisia de Erb. Esses pacientes tem paralisia da abdução e rotação externa do braço e da flexão do cotovelo. Casos mais graves incluem a lesão do nível médio (raiz C7, relacionada à musculatura extensora) ou a lesão de todo o plexo (de C5 a T1), com paralisia completa. O comprometimento do nível inferior do plexo debilita a flexão dos dedos e pode afetar a inervação autonômica simpática do olho do mesmo lado, levando à síndrome de Horner. Este é um sinal de gravidade, pois está associado à avulsão das raízes da medula cervical. Grande parte dos pacientes com plexopatia obstétrica recupera-se em poucas semanas, particularmente aqueles com paralisia de Erb, mas podem persistir algumas deficiências, principalmente na movimentação do ombro. Cerca de 10% dos pacientes evoluem com sequelas graves. Estes casos podem se beneficiar da reconstrução cirúrgica do plexo braquial. As opções cirúrgicas de tratamento incluem enxertos e transferências nervosas, dependendo dos nervos comprometidos e das raízes espinhais viáveis. Muitas vezes essa avaliação só é possível no momento intraoperatório, quando é feito o estímulo elétrico seletivo de cada feixe nervoso. A recuperação das crianças é superior àquela observada em adultos com lesões semelhantes, pois as distâncias são menores e o potencial de regeneração dos nervos é maior. Contudo, é fundamental selecionar adequadamente os pacientes e indicar o procedimento de forma precoce. O período ideal para realizar a cirurgia é entre três e seis meses de idade, sendo mais precoce para os casos mais graves. O resultado da cirurgia não é imediato, pois o processo de reinervação é lento. Cirurgias tardias têm potencial limitado, pois os músculos desenvolvem fibrose irreversível. Não é recomendável adiar a avaliação dos pacientes, pois podem ser necessários exames complementares como a eletroneuromiografia e a ressonância magnética. Esses exames permitem avaliar a gravidade do caso e ajudam no planejamento cirúrgico. Contudo, o parâmetro mais importante na indicação cirúrgica ainda é a avaliação clínica seriada, que permite acompanhar a velocidade de recuperação de cada movimento do braço e da mão.

BOLETIM INFORMATIVO

Ano 2, Número 3, Novembro de 2013