O momento operatório do reparo de nervos é critico na determinação do resultado final e depende de diversos fatores, especialmente do tipo de lesão (ex. laceração, secção romba, estiramento/contusão, compressão, etc.).

Qualquer ferimento aberto em que haja suspeita de lesão neural deve ser explorado precocemente. Se houver uma secção “limpa” (sem contusão) do nervo deve ser realizado reparo microcirúrgico imediato. Por outro lado, se durante a exploração for observada uma lesão extensa, por vezes com perda de substância, e/ou com contusão importante, o reparo deve ser adiado (3 semanas), até que a extensão longitudinal do processo inflamatório no nervo esteja definida. Se o nervo estiver roto, seus cotos devem ser fixados, um no outro ou em fáscia muscular adjacente, para minimizar a retração natural do nervo após a secção. Este procedimento reduz a extensão dos enxertos que serão utilizados posteriormente para reparar a lesão.

Nas lesões fechadas com deficit neurológico não há indicação para cirurgia imediata e o paciente deve ser avaliado periodicamente, em caráter ambulatorial, até completar 3 meses de lesão. Se existir alguma evidência clínica ou eletrofisiológica de recuperação no último exame, o tratamento conservador deve ser mantido. No entanto, se não houver qualquer evidência de recuperação, a exploração cirúrgica estará indicada.

Na cirurgia de nervos o fator limitante principal é o tempo decorrido entre a lesão e a cirurgia devido aos efeitos da desnervação sobre os órgãos-alvos. Embora os órgãos sensitivos sejam mais resistentes, os músculos apresentam alterações irreversíveis com a desnervação, que culminam com a substituição do tecido muscular por gordura e/ou cicatriz. Portanto, quanto mais precoce for a cirurgia, maiores serão as chances de bons resultados.

É importante enfatizar que a reabilitação (fisioterapia/terapia ocupacional) em pacientes com lesão de nervo periférico, independente do tipo, deve ser iniciada o mais precocemente possível. Sua ação em manter a amplitude de movimentos nas articulações, fortalecer musculatura adjacente e, aparentemente, minimizar a atrofia muscular certamente tem um impacto altamente positivo no resultado final.

BOLETIM INFORMATIVO

Ano I, Número 1, Março de 2013